- Podia-me trazer a carta de vinhos?- Não temos carta de vinhos. Os vinhos que temos são os que estão aqui na parede (num suporte, daqueles, em que uma dúzia de garrafas ficam presas pelo gargalo)
- Como é que eu sei os preços?
- Ai espere que eu vou perguntar à minha colega
(chega a colega já devidamente informada)
- Os preços são, do mais barato para o mais caro (apontando para o suporte e acenando de baixo para cima)
- sim, mas o que é que é mais barato ou mais caro. Desculpe mas isto não é normal, tem que ter uma lista com preços!
- Áh, é que eles (os vinhos) estão sempre a mudar
- E? Sempre que mudar pode imprimir uma folhinha com os preços, não?
- Mas isso seria pouco ecológico (e a quantidade de luzes acesas que tem, também - apeteceu-me dizer).
- Ok diga-me o preço dos vinhos
- Ah, tem aqui o Monsaraz que custa 12€ e é muito bom
- (olhando para o tal suporte e vendo que só tinha tintos) e brancos não têm?
- Sim, temos 3 brancos e um rosé, o Sexy.
- E que brancos é que tem?
- Só um momento, tenho que ir ver. (Dois minutos depois) Tenho o Cartuxa, o Alvarinho (sic) e (um terceiro que não fixei o nome).
(Com alguma incredulidade o diálogo continua)
- qual o preço do Sexy tinto.
- 12 euros
- E o Rose (da mesma marca)?
- Também 12 Euros. Ai não, 13 euros.
- Mas não é normal um rosé ser mais caro do que o tinto da mesma marca
- Pois…mas é.
(continuando atordoado e talvez influenciado pelo cor de rosa forte da parede, tomo uma decisão parva porque não era nada esse o tipo de vinho que queria…)
- Ok, dê-me o Sexy tinto
- Esse não é lá muito bom, é melhor o Monsaraz.
- Então dê-me o rosé!
- Aaah…. está bem
E foi, foi mesmo o melhor daquela refeição de pratos medianos a preço de Indiano chique (31€, pessoa). Como já devem ter percebido, este diálogo não é de nenhuma peça de teatro do absurdo, mas sim, parte integrante de um jantar, de ontem, num restaurante intitulado de cozinha criativa indiana, em Lisboa, o Tamarind (foi a segunda vez que lá fui e, se depender de mim, terá sido a ultima).
P.S. é por situações destas que não assinei a petição online contra as “perseguições” da ASAE. É de facto pena que alguns justos paguem por alguns pecadilhos ridículos, mas enquanto houver casos destes, venham mais ASAEs.
hilário. ainda conseguiu ter mais graça escrito que ao vivo.
ResponderEliminarAinda bem que estavas lá. Assim tenho pelo menos uma testemunha de que não estou a ser mauzinho.
ResponderEliminarEu nunca defendi o mau serviço ou a incompetência. Insurjo-me contra todos os truques para embarretar o cliente e acho que devem ser punidos, mas tudo isto pouc tem a ver com aquilo de que me queixo nos posts "anti-asae" :)
ResponderEliminarCaro Miguel
ResponderEliminarParece um sonho mau... Infelizmente esta é uma realidade. Aprecio o facto de não teres colocado o nome do restaurante, embora merecesse.
Um abraço
Zé Tomaz
Caro João Pedro Diniz,
ResponderEliminarapós ter lido com mais atenção os seus posts "anti- asae", sou levado a concordar consigo (Em parte, é o quero dizer quando refiro "É de facto pena que alguns justos paguem por alguns pecadilhos ridículos" .
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarCaro Zé Tomaz,
ResponderEliminarNa verdade, refiro o nome do restaurante. Ponderei não o fazer, mas também não me pareceu justo levantar suspeitas sobre outros restaurantes que nada têm a ver com o assunto.
Caro Miguel,
ResponderEliminarAgradeço todos os dia o espírito de sacrifício com que você se submete a essas experiências horriveis só para poupar os seus leitores.
Luis M. Jorge
Tivemos uma experiência semelhante em Volterra, num restaurante citado pelo Michelin.
ResponderEliminar